Encontro debate a igualdade de gênero

O cooperativismo fluminense vestiu-se com a cor lilás no dia 9 de outubro, para a realização do encontro “Mulheres, vamos falar de nós?”. Promovido pelo Sistema OCB-RJ/Sescoop-RJ e coordenado pelo Comitê Gestor de Gênero Dona Terezita, o evento reuniu cerca de 90 pessoas, que acompanharam e debateram sobre a igualdade de gênero, o papel feminino na família, no trabalho e na renda familiar, a saúde física e mental, as leis que protegem as mulheres e a mudança de comportamento na educação escolar.

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Representando o Sistema OCB-RJ/Sescoop-RJ, estiveram o presidente Vinicius Mesquita e os secretários da OCB/RJ, Francisco Bezerra (Geral), Ildecir Sias (Finanças) e Maria do Carmo Sertã Passos (Cultura e Formação).

Na abertura, Vinicius Mesquita destacou a importância de o Sistema OCB/RJ estar promovendo um encontro que possibilite a discussão sobre a igualdade de gênero. “O Comitê é uma ferramenta de empoderamento do público feminino. O cooperativismo traz em seu cerne a igualdade e, portanto, nosso segmento é um exemplo para toda a sociedade. Por isso, fico muito orgulhoso de ver o auditório cheio de mulheres e homens interessados sobre o tema”, afirmou.

Presidente do Comitê Gestor de Gênero Dona Terezita e da Cooperativa dos Cuidadores de Idosos (Coopidade), Rosa dos Santos afirmou que “a iniciativa foi uma ação planejada, gerando grande oportunidade para falarmos sobre os anseios e os desafios do público feminino em nossas cooperativas”.

A secretária de Cultura e Formação da OCB/RJ, Maria do Carmo Sertã Passos, felicitou a todos pela realização do evento. “Sabemos que ainda temos um longo caminho, mas o cooperativismo está à frente e vem debatendo de forma ampla a questão da igualdade de gênero. Este encontro foi o resultado deste importante trabalho que o Comitê vem desenvolvendo nos últimos meses”, comentou Maria do Carmo, que preside a Cooperativa Agropecuária de Carmo.

Palestras

A primeira palestra do dia foi conduzida pela presidente da Fetrabalho/RS e coordenadora nacional do Conselho Consultivo do Ramo Trabalho, Margareth Garcia da Cunha, que comentou sobre sua trajetória no cooperativismo, demonstrando os desafios e conquistas no segmento.

Em seguida, a consultora financeira e mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, Myrian Lund, destacou o papel da mulher na renda familiar, dando dicas para um bom planejamento das finanças pessoais.

Para falar sobre a mudança de comportamento da educação escolar e de gênero, a convidada foi a professora Solange Barbalho. Ela iniciou a apresentação citando Maria Tereza Rosália Teixeira Mendes (Dona Terezita), por seu importante trabalho de luta pela igualdade de gênero. Inspirada em Dona Terezita, Solange Barbalho passou a militar no cooperativismo e recebeu duas moções honrosas em Paty do Alferes/RJ, nos anos de 2004 e 2005, pelos trabalhos desempenhados na educação dos jovens deste município.

Sobre o Comitê de Gênero, a professora explicou que os trabalhos são destinados a homens e mulheres e fez uma retrospectiva das ações. “O movimento do gênero no cooperativismo fluminense começou em 2002. Somente em 2008 conseguimos uma resolução para transformar este movimento no Comitê que existe hoje. Trabalhamos o lado social e os olhares humanizados e sensíveis presentes no 7º princípio do cooperativismo, o Interesse pela Comunidade”, destacou.

Os homens também tiveram seu espaço no evento. Coube ao assessor parlamentar da OCB/RJ, Luiz Carlos Costa, abordar o papel masculino nas atividades domésticas e na família.

“Os homens precisam ser mais parceiros e atuantes na família, no que diz respeito a criação dos filhos e a divisão das tarefas domésticas rotineiras. O que importa nesse contexto é que os homens percebam a importância de compartilhar as atividades de casa, uma vez que o homem e a mulher dividem o lar, ou seja, a limpeza da casa e o cuidado dos filhos devem ser de responsabilidade dos dois,”, disse Luiz Costa.

As leis que protegem as mulheres foi o tema da palestra da advogada e integrante do Comitê de Gênero Dona Terezita, Dra. Adriana Amaral.

Para contextualizar, ela apresentou a cronologia do Direito Feminino no Brasil, explicou os tipos de violência existentes (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral) e destacou algumas leis importantes como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a Lei Carolina Dieckman e a Lei da Importunação Sexual.

“É preciso que estas e outras leis importantes sejam do conhecimento de todos. A caminhada é longa, mas as mulheres precisam denunciar caso sejam vítimas de qualquer crime, pois toda conquista tem uma trajetória de luta. Estamos nesta vida para sermos felizes e é nisso que acredito’, ressaltou a advogada.

Para encerrar o dia, a presidente do Comitê, Rosa dos Santos, falou sobre algumas doenças que afetam as saúdes física e mental das mulheres – como depressão e ansiedade – suas causas e consequências.

“É preciso que as pessoas entendam que não é drama, nem preguiça ou frescura. Essas doenças da alma mexem com a cabeça e afetam o corpo e muitas vezes são motivadas pelos ambientes competitivos do mercado de trabalho, fatores sociais ou problemas familiares”, disse Rosa que deu a receita para vivermos em harmonia.

“Precisamos compartilhar boas vibrações e entender também que cada pessoa tem seu jeito e modo de pensar e agir. Temos de ser compreensivos. Caso percebamos que alguém precise de ajuda, estendamos as mãos. Ser solidário também é um gesto de amor”, finalizou.

Depoimentos

“Acho importante, ainda mais em um momento em que a mulher está mais empoderada, que o cooperativismo e o Sistema OCB/RJ debatam a igualdade de gênero. É fundamental que o nosso segmento econômico aborde esse tema, pois a mulher tem uma visão mais sensível e ampla sobre a temática” – Mina Ficzman, Sicoob Cecremef.

“O encontro foi ótimo, pois vimos a história de mulheres que, mesmo com todas as adversidades, cresceram e chegaram à uma posição de destaque nas áreas em que atuam. O fato de o Sistema OCB/RJ mostrar a importância da mulher para a sociedade é fundamental. Com certeza, o cooperativismo sai na frente” – Fabielle Santos – Cooperativa de Eletrificação Rural de Araruama (Ceral).

Cooperativas

O evento também possibilitou que cooperativas expusessem seus produtos e serviços, como a Cooperativa Agropecuária de Carmo, Coopidade, a Uniodonto Rio de Janeiro, que sorteou brindes para alguns participantes e a Unijazz Brasil, que tocou músicas durante os intervalos do evento.

Reportagem: Richard Hollanda – Comunicação Sistema OCB/RJ