Maricá dá novo passo para tornar-se uma cidade cooperativista

Maricá dá novo passo para tornar-se uma cidade cooperativista

Mondragon, na Espanha, é reconhecida mundialmente pelo fato de ser uma cidade com ótimos índices de desenvolvimento, proporcionados através do cooperativismo. Levando o nome do município espanhol, a Corporação Mondragon é um federação de cooperativas e oriundo do País Basco, na Espanha. Constitui o maior grupo empresarial do basco e o sétimo da Espanha, bem como o maior grupo cooperativo do mundo, formado por 250 empresas e mais de 75 mil cooperados.

E o exemplo espanhol é um espelho para cidades brasileiras. Maricá, no Rio de Janeiro, quer se tornar uma cidade cooperativista. E mais um passo com esse intuito foi dado em 10 de outubro, com a realização da palestra “Maricá – Cidade da Economia Solidária – e o Cooperativismo de Crédito”, promovido em parceria entre o Sistema OCB/Sescoop-RJ, o Sicoob Fluminense e a Prefeitura de Maricá, no Cinema Público Henfil, localizado na região central do município.

O encontro lotou o auditório e o público pôde entender como o cooperativismo é capaz de promover as mudanças nas cidades e como o segmento Crédito é fundamental para isso. Para um melhor entendimento da questão, os maricaenses assistiram palestra ministrada por João Carlos Leite, presidente do Sicoob Saromcredi, instituição de São Roque de Minas, em Minas Gerais.

O dirigente contou todo o histórico da cooperativa, criada na década de 1990, após o único banco privado sair do município, localizado na Serra da Canastra, onde está localizada a nascente do Rio São Francisco, e toda a sua evolução ao longo dos anos.

Na época da inauguração da cooperativa, segundo João, a cidade estava com autoestima muito baixa, com uma população envelhecida e sem perspectiva de crescimento. “Queríamos dar dignidade à cooperativa de crédito e à cidade. Tínhamos a missão de trazer de volta tudo aquilo que a cidade perdeu com a saída do banco privado e, além disso, recuperar a economia local”, comentou.

E isso aconteceu. Se antes a cidade era pobre, hoje é autossuficiente em diversas produções, como o milho, e tem no café uma das forças de desenvolvimento. E a cooperativa também incentivou o surgimento de novas instituições cooperativistas nos ramos Infraestrutura, Agropecuário e Educacional, por exemplo.

E toda esse trabalho tem revertido em bons resultados. Além de querida pela cidade, a cooperativa tem 23 mil cooperados (Não apenas em São Roque de Minas. A cooperativa está situada em outras cidades também.), R$ 40 milhões em patrimônio, R$ 124 milhões em operações de crédito, R$ 140 milhões em depósitos e R$ 250 milhões em valores financeiros totais.

“Enquanto gestores, quanto mais atacarmos as questões sociais, melhores serão os resultados. Por isso, incentivamos na cidade a Cooperativa Educacional de São Roque de Minas, mantenedora do Instituto Ellos de Educação, que oferece educação cooperativista, empreendedora e financeira aos jovens e adolescentes da cidade. Iniciativa que foi implementada em escolas públicas de São Roque de Minas e de cidades do entorno, tamanho é o sucesso. Apoiamos e capacitamos, também, os produtores de queijo da Serra da Canastra, hoje um dos queijos mais adorados mundialmente. Ou seja, geramos empregos e promovemos o desenvolvimento social e intelectual dos cidadãos”, findou João.

Em seguida, o presidente do Sicoob Fluminense, Neilton Ribeiro, falou no evento. A cooperativa pretende abrir uma agência na cidade em breve e ele comentou sobre a importância de a sociedade estar inserida em cooperativas. O dirigente disse que a cooperativa, por onde fixa uma agência, trabalha a democratização do crédito à população.

“Só estamos aqui, pois o poder público entende que o cooperativismo é responsável por promover o desenvolvimento local. Os bancos cooperativos oferecem serviços aos associados e as sobras retornam aos sócios. Por isso, as cooperativas são a melhor forma de desenvolvimento da sociedade”, disse.

Dirigentes
O prefeito de Maricá, Fabiano Horta, destacou a importância de se ter um sistema de crédito que não vise apenas o lucro.

“Muitas cidades no mundo se organizam de forma diferente. Precisamos entender que o capitalismo produz o individualismo e o cooperativismo produz um evento diverso de ajuda mútua. Em Maricá, queremos muito ir nessa direção e a sociedade precisa dessa alternativa, por isso resolvemos entender melhor como funciona essa nova proposta de credito”, disse o prefeito.

Já o presidente do Sistema OCB/Sescoop-RJ, Marcos Diaz, afirmou que Maricá tem tudo para ser uma cidade cooperativista. “Com o apoio do poder público, o cooperativismo será um essencial instrumento de desenvolvimento da cidade. Não à toa, já assinamos recentemente um Termo de Cooperação Técnica com a cidade e iniciamos os trabalhos para o Cooperjovem. No ano que vem, as escolas municipais já trabalharão a educação cooperativista nos estudantes”, comentou.

O secretário de Economia Solidária de Maricá, André Braga, disse que o evento mostrou como é, de fato, o funcionamento de uma cooperativa de crédito. “As cooperativas de crédito é a porta para a busca de um ambiente produtivo democrático do crédito, da acessibilidade e a garantia de circulação dos recursos financeiros para o desenvolvimento no local”, conclui André Braga, que se despediu do cargo durante o evento, já que a pasta será ocupada por Diego Zeidan.

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Reportagem: Richard Hollanda – Comunicoop – Assessoria de Comunicação Sistema OCB/Sescoop-RJ